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Jovens são o público com maior intenção de compra de imóveis, mas planejamento financeiro ainda atrapalha planos

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Contrariando as estimativas, pesquisa aponta que 56% dos entrevistados com idade entre 21 e 28 anos desejam adquirir um imóvel nos próximos meses, porém, 62% acredita estar mais complicado comprar uma casa agora do que nas gerações anteriores

 

Luana Cardoso

30 de março de 2026

Um sonho que atravessa gerações: o primeiro imóvel próprio. Contrariando a crença de que os jovens estão mais ligados a experiências do que a construção de patrimônio, uma pesquisa da Brain Inteligência Estratégica, realizada em novembro de 2025, apontou que a Geração Z (com idade entre 21 a 28 anos) apresentava a maior intenção de compra entre as demais faixas etárias, com 56% dos entrevistados desejando adquirir um imóvel dentro dos próximos meses. Os dados contrastam com a ideia de que os jovens estão menos ligados a investir na casa própria e mais voltados para as experiências, como viagens, consumo e estilo de vida. 

Por outro lado, o levantamento Retratos do Morar, também divulgada no final de 2025 pela Ipsos-Ipec e encomendada pelo Grupo QuintoAndar, apontou que, apesar do interesse, o principal obstáculo para transformar esse plano dos jovens em realidade é o financeiro: 62% dos jovens brasileiros acreditam estar mais complicado adquirir um imóvel atualmente do que em gerações anteriores, apesar de 72% dos entrevistados sonharem com a casa própria. 

“Os jovens estão um pouco desalentados. Mas isso é muito por conta da falta de organização e planejamento. O erro é se preocupar justamente com a parcela, a entrada, mas não se organizar para chegar neste momento”, destaca a educadora financeira, Kallenya Lima. 

Os números apontam um comportamento da atualidade: tornou-se mais comum esperar a estabilidade financeira antes de assumir o compromisso de um financiamento. Além disso, os jovens estão se casando mais tarde que nas gerações anteriores, o que impacta diretamente na decisão final. 

Enquanto nas gerações anteriores o patrimônio era construído de forma conjunta pelo casal e aos poucos, atualmente, é algo que exige, para muitos, um esforço mais solitário. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2024, a idade média ao casar de solteiros atingiu 31,5 anos para homens e 29,3 anos para mulheres, um aumento significativo em comparação às duas décadas anteriores. 

Organização é a chave

Segundo a especialista, a soma de todos esses fatores torna o desejo da casa própria algo mais difícil do que é na realidade. De acordo com a educadora financeira, a principal dica para conseguir se planejar a longo prazo e tirar esse sonho do papel é equilibrar as contas e traçar prioridades.

 “É preciso buscar o equilíbrio. Muitas pessoas desistem antes de começar. E nesse desistir, elas estão trocando sonhos por desejos, que é no dia a dia, fazendo os gastos desnecessários que não vão acrescentar na vida delas”, salienta Kallenya ao pontuar que os jovens, muitas vezes, têm dificuldades em juntar dinheiro por achar que vai demorar muito para alcançar o valor da entrada do imóvel. 

O corretor de imóveis e diretor da URBS Connect, Gustavo Abdala, observa que muitos jovens já estão desenvolvendo carreira e têm ganhos financeiros, mas continuam morando com os pais. “A dica é aproveitar que as despesas são menores para poupar", diz, corroborando com a economista.

Ele diz que muitos jovens o procuram para adquirir imóveis justamente aproveitando deste benefício.  “Alguns jovens continuam morando na casa dos pais e compram o imóvel com o pensamento de investimento. Isso tem aumentado cada vez mais. Ele usa o imóvel como boa renda e, quando for o momento, pode fazer uso próprio do bem”, explica. 

Kallenya chama atenção para o fato de se fazer simulação do imóvel pretendido e colocá-lo como meta, mas comece com os pés no chão. “Comece pequeno, mas comece, pois o imóvel vai sempre valorizar acima dos ganhos médios da população. Compre algo que seja menor e mais simples, que caiba no orçamento, e no futuro parta para o upgrade do imóvel”, aconselha

Gustavo lembra que existem muitas alternativas para facilitar o financiamento, o que pode tornar a negociação mais atrativa e possível para os mais jovens. “O governo federal elevou o valor máximo para financiamento pelo SFH (Sistema Financeiro de Habitação), a CAIXA retomou o financiamento de até 80% do valor do imóvel, reduzindo o valor da entrada, e ainda tem a possibilidade de usar o FGTS para entrada ou amortização da dívida, o que favorece muito a compra. É o momento ideal para quem deseja investir no mercado imobiliário, seja para morar ou com intenção de alugar”, detalha o corretor. 

 

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